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CLIMA Por Juliana Radler*
Após a vitória dos democratas no Congresso americano no último dia 7, novos ventos poderão soprar para que os Estados Unidos mudem sua posição em relação ao Protocolo de Quioto, tratado global ratificado por 166 países para diminuir as emissões dos gases do efeito estufa.
O país, que é o maior emissor desses gases poluentes, não ratificou o tratado argumentando que o mecanismo interfere no desenvolvimento econômico do país. A última pesquisa relacionada à emissão de gases do efeito estufa realizado pelo órgão da ONU responsável por mudanças climáticas (UNFCCC), mostra que os EUA aumentaram em 15,8% suas emissões entre 1990 e 2004.
Porém, em Nairóbi (Quênia), onde acontece essa semana a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e sobre o Protocolo de Quioto, especialistas no tema se mostraram mais otimistas. Para o professor e diretor do Programa de Políticas Públicas em Ciência e Tecnologia da Universidade de Harvard, John Holdren, a vitória democrata abrirá uma nova era em relação à posição norte-americana sobre o tema.
“Vamos ver uma nova atitude dos Estados Unidos nos próximos anos em relação às mudanças climáticas. Nós temos um Congresso mais internacional agora e isso me deixa otimista”, afirmou Holdren, que participou em Nairóbi de um evento especial sobre políticas públicas para conter a emissão dos três países em desenvolvimento que mais poluem a atmosfera: Brasil, China e Índia.
A opinião de Holdren é compartilhada pelo coordenador de pesquisas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o biólogo Paulo Moutinho. “Acredito que com esse Congresso mais aberto, haverá mais possibilidades de cooperação norte-americana”, afirmou o especialista, que defende em Nairóbi a proposta de compensação financeira pela redução do desmatamento de florestas, como o caso da Amazônia.
* Juliana é correspondente especial da REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental, em Nairobi. A REBIA edita a Revista do Meio Ambiente e o Portal do Meio Ambiente |